Milhares de agricultores europeus realizaram um protesto massivo nesta terça-feira (20) em frente ao Parlamento Europeu, em Estrasburgo, manifestando-se contra o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. A manifestação ocorre um dia antes de uma votação crucial que decidirá se o tratado será contestado na justiça.
O protesto, que reuniu mais de 4.500 pessoas segundo dados policiais, contou com a presença de agricultores franceses, italianos, belgas e poloneses, que chegaram ao local em dezenas de tratores. A manifestação acontece após a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ter assinado o acordo de livre comércio com Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai no sábado (17), em Assunção.
* O acordo comercial entre UE e Mercosul prevê a eliminação de tarifas em mais de 90% do comércio bilateral entre os blocos, sendo negociado desde 1999
* Os agricultores europeus expressam preocupação com a importação de alimentos produzidos sob diferentes normas sanitárias. Baptiste Mary, agricultor francês de 24 anos, afirmou que os produtos são “produzidos de uma forma completamente diferente da europeia, com mais produtos fitossanitários e sem as mesmas normas”
* Emmanuelle Poirier, criadora de gado, manifestou à AFP seu temor pela “importação maciça de carne” bovina, representando a preocupação do setor pecuário europeu
* O Parlamento Europeu votará nesta quarta-feira (21) uma proposta para submeter o acordo ao Tribunal de Justiça da UE, visando verificar se seu método de adoção e conteúdo estão em conformidade com a legislação europeia
* Para entrar em vigor, o acordo ainda precisa ser ratificado pelos parlamentos nacionais dos países do Mercosul e pelo Parlamento Europeu
O setor agropecuário europeu demonstra forte resistência ao acordo, temendo o impacto da entrada de produtos sul-americanos como carne, arroz, mel e soja. Em contrapartida, o acordo beneficiaria a exportação de veículos, máquinas, queijos e vinhos europeus para os países do Mercosul.
Uma moção de censura contra Ursula von der Leyen, apresentada pelo grupo de extrema direita Patriotas pela Europa, será votada na quinta-feira, embora com poucas chances de aprovação.