Líder do Senado foi criticado

Foto: Agência Brasil
O líder do governo no Senado, Jaques Wagner, está no centro de uma crise política após a revelação de um acordo controverso que permitiu a aprovação da redução de penas para golpistas. A situação veio à tona através de um discurso do senador Renan Calheiros (MDB/AL) na tribuna do Senado, provocando forte reação do presidente Lula.
Segundo o relato de Renan Calheiros, Wagner articulou um acordo para destravar a pauta de votações econômicas, permitindo a aprovação de um texto que reduz pela metade o tempo de prisão previsto para casos de golpe. O episódio gerou forte repercussão no governo e pode resultar na saída de Wagner da liderança.
* Em conversa reservada com Renan Calheiros, Wagner revelou ter articulado um acordo para votar a dosimetria das penas em troca da aprovação do projeto que garantiria R$ 22 bilhões aos cofres públicos.
* Calheiros alertou Wagner sobre um acordo prévio com o presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD/BA), que previa vista de 5 dias para a dosimetria, mas Wagner respondeu que seriam apenas 4 horas.
* O novo texto foi aprovado rapidamente na CCJ por 17 votos a 7 e, em seguida, no plenário por 48 votos a 25.
Em discurso contundente no Senado, Renan Calheiros criticou duramente a decisão, afirmando que “o líder do governo deu de presente de Natal um peru aos golpistas” e denunciou uma “farsa proposta em nome de um projeto que vai facilitar a arrecadação de alguns bilhões ao governo”.
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, manifestou-se publicamente condenando a iniciativa de Wagner, afirmando que “a condução desse tema pela liderança do governo no Senado na CCJ foi um erro lamentável, contrariando a orientação do governo que desde o início foi contrária à proposta”.
O episódio deve resultar na saída de Jaques Wagner da liderança do governo no Senado a partir de 2026. O Planalto considera que o senador baiano já enfrentava dificuldades de diálogo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, após desentendimentos anteriores, e que o incidente atual compromete o discurso governamental de defesa da democracia.