O Partido Liberal (PL) enfrenta uma crise interna envolvendo Michelle Bolsonaro e os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro. Uma reunião marcada para esta terça-feira em Brasília deve estabelecer os limites de atuação da ex-primeira-dama no partido, após desentendimentos públicos sobre articulações políticas.
O conflito ganhou destaque após Michelle Bolsonaro criticar publicamente uma aliança política no Ceará, gerando reação imediata dos filhos do ex-presidente. A situação expôs divergências sobre o protagonismo político dentro da família.
* O primeiro embate ocorreu durante uma reunião partidária, quando Michelle fez uma brincadeira sobre o marido na prisão, mencionando o apelido “meu galo” e fazendo referência aos “3 is” (imbrochável, imorríveis e incomíveis), causando desconforto entre os filhos de Bolsonaro.
* O senador Flávio Bolsonaro se autoproclamou porta-voz do pai, sem consultar a madrasta, gerando tensões sobre a disputa ao Senado em Santa Catarina, onde Carlos Bolsonaro foi escolhido pelo pai, enquanto Michelle prefere Caroline de Toni.
* A situação escalou quando Michelle participou do lançamento da pré-candidatura do senador Eduardo Girão no Ceará, criticando a aproximação do PL local com Ciro Gomes: “É sobre essa aliança que vocês precipitaram a fazer. Fazer aliança com o homem que é contra o maior líder da direita, isso não dá”.
* Flávio Bolsonaro declarou ao Metrópoles que “a Michelle atropelou o próprio presidente Bolsonaro” e classificou sua postura como “autoritária e constrangedora”.
* Eduardo Bolsonaro endossou o irmão nas redes sociais: “Meu irmão Flávio Bolsonaro está correto. Foi injusto e desrespeitoso com o André o que foi feito no evento”.
* Carlos Bolsonaro também se manifestou: “Temos que estar unidos e respeitando a liderança do meu pai, sem deixar nos levar por outras forças”.
A reunião desta terça-feira contará com a presença de importantes lideranças do partido, incluindo o presidente nacional Valdemar Costa Neto, o vice-presidente da Câmara Altineu Côrtes, e o senador Rogério Marinho. O encontro deve estabelecer que o cargo de presidente do PL Mulher é honorífico e que decisões sobre articulações políticas para 2026 devem partir do ex-presidente.