Belém encerra cúpula sem acordo sobre fósseis

Foto: Sergio Moraes/COP30
A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30) concluiu seus trabalhos após 13 dias de intensas negociações, marcando um momento crucial para a agenda climática global. O principal revés foi a ausência, no documento final, de um roteiro global para a eliminação gradual do uso de combustíveis fósseis.
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, em seu discurso na plenária final, reconheceu avanços modestos nas discussões climáticas. Ela foi aplaudida pelos delegados presentes e, emocionada, estabeleceu um paralelo com a Rio 92, destacando que os resultados atuais ainda estão aquém das expectativas daquela época.
Pontos principais do desfecho da conferência:
* O documento final não incluiu a proposta de criar um roteiro global para eliminação gradual de combustíveis fósseis, como petróleo e gás, após intensas negociações durante a madrugada
* Aproximadamente 80 países apoiavam a construção do “mapa do caminho”, incluindo o apoio público do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do secretário-geral da ONU, António Guterres, mas encontraram resistência de nações como Arábia Saudita e Rússia
* A conferência, mesmo realizada no coração da Amazônia, não estabeleceu um plano robusto contra o desmatamento, apenas reconhecendo a importância de reverter a perda florestal até 2030, sem definir um roteiro específico
Marina Silva destacou em seu discurso: “Certamente nos diriam, antes de tudo, que sonhávamos com muito mais resultados, esperávamos que a virada ambiental seria mais rápida, a ciência seria suficiente para mover decisões, a urgência falaria mais alto do que qualquer outro interesse”.
A diretora-executiva do Greenpeace Brasil, Carolina Pasquali, expressou sua frustração com os resultados, afirmando que o documento final “Não traz nem mapa e nem caminho para a transição para longe dos combustíveis fósseis e para o fim do desmatamento até 2030”.
Entre os poucos avanços positivos, destaca-se o reconhecimento do papel dos povos indígenas e progressos nos instrumentos globais para adaptação, incluindo a primeira definição de indicadores globais de adaptação, embora ainda necessitem de aperfeiçoamento e ampliação.
A conferência encerrou deixando um sentimento misto de frustração pela falta de acordos mais ambiciosos e a necessidade urgente de ações mais concretas para enfrentar a crise climática global.