Pesquisa mostra que 29% dos brasileiros ainda usam castigos físicos contra crianças

Pesquisa mostra que 29% dos brasileiros ainda usam castigos físicos contra crianças

Pesquisa revela que maioria dos brasileiros desconhece importância dos primeiros seis anos de vida, e 29% ainda usam castigos físicos em crianças

Um novo estudo intitulado “Panorama da Primeira Infância: O que o Brasil sabe, vive e pensa sobre os primeiros seis anos de vida”, lançado pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal em parceria com o Instituto Datafolha, revela dados preocupantes sobre o conhecimento e práticas relacionadas à primeira infância no Brasil.

A pesquisa, que entrevistou 2.206 pessoas em todo o país, incluindo 822 cuidadores de crianças de até 6 anos, expõe que 84% dos brasileiros desconhecem que a primeira infância é a fase mais importante do desenvolvimento humano, período em que o cérebro realiza 1 milhão de sinapses por segundo.

Violência e Disciplina

* Apesar da Lei Menino Bernardo (Lei 13.010/2014) proibir castigos físicos, 29% dos cuidadores admitem usar palmadas e beliscões como forma de disciplina
* Entre os que utilizam violência física, 40% acreditam que isso gera “maior respeito pela autoridade e ensina a criança a obedecer”
* 33% reconhecem que a violência pode resultar em comportamento agressivo, e 21% admitem que pode causar baixa autoestima
* 14% dos cuidadores confessam gritar e brigar com as crianças

Práticas e Desenvolvimento

* 96% dos entrevistados consideram “ensinar a respeitar os mais velhos” como a prática mais importante
* Conversar com a criança (88%), frequentar creche/pré-escola (81%) e permitir brincadeiras (63%) aparecem em posições inferiores
* Em média, crianças na primeira infância passam duas horas diárias expostas a telas, com 40% chegando a três horas

Mariana Luz, diretora-executiva da Fundação, destaca que “Estudo após estudo, reiteradamente, traz as evidências de que são nos primeiros seis anos de vida que se estabelecem as bases físico, cognitivo e emocional”. Ela também cita estudos do economista James Heckman, que demonstram que para cada dólar investido na primeira infância, há um retorno de sete dólares.

A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que crianças até 2 anos não tenham contato com telas, e entre 2 e 5 anos, o limite seja de uma hora diária supervisionada. Vale ressaltar que em 2022, o STF determinou como dever do Estado garantir vagas em creches e pré-escolas para crianças até 5 anos.

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