A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) divulgou um estudo sobre o impacto da nova tarifa adicional de 40% sobre as exportações brasileiras para os Estados Unidos, que entrou em vigor nesta quarta-feira. A análise revela consequências significativas para a economia mineira, tanto no curto quanto no longo prazo.
No curto prazo, em um período de até dois anos, os impactos previstos são:
* Redução de R$ 4,7 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) de Minas Gerais
* Perda de mais de 30 mil postos de trabalho
* Queda de R$ 510 milhões na renda das famílias mineiras
Para o longo prazo, considerando um período de 5 a 10 anos, o cenário se agrava:
* Impacto superior a R$ 15,8 bilhões no PIB estadual
* Redução de 172 mil empregos
* Diminuição de até R$ 2,91 bilhões na renda familiar
O estudo da Fiemg aponta que a siderurgia e o aço sem costura serão os setores mais impactados no curto prazo, com queda de 8,26% na produção. O setor de fabricação de produtos de madeira também será significativamente afetado, com redução de 3,17%. Dos 15 setores mais prejudicados, 11 pertencem à indústria de transformação.
Minas Gerais ocupa a posição de terceiro maior estado exportador para os Estados Unidos, com volume de US$ 4,6 bilhões em 2024, representando 11,4% do total nacional. O estudo já considera as isenções concedidas, que beneficiam 37% das exportações, incluindo produtos como ferro fundido, ferro-nióbio e aeronaves.
Entre os produtos mais prejudicados que não receberam isenção, destaca-se o café, responsável por 33% das exportações mineiras para os EUA. Outros itens importantes sem isenção incluem tubos de aço, fio-máquina de ferro ou aço e carne bovina.
“Diante desse contexto, a expectativa é de que Brasil e Estados Unidos avancem em um diálogo diplomático que evite prejuízos adicionais à economia brasileira, com reflexos diretos e indiretos sobre centenas de empregos no país. Para a Fiemg, a via diplomática é o caminho mais adequado e eficaz para solucionar a questão, preservando a relação comercial estratégica entre as duas nações”, sugere o estudo.