Os governadores do Nordeste, por meio do Consórcio Nordeste, emitiram uma nota criticando fortemente as recentes declarações do governador de Minas Gerais, Romeu Zema, sobre a suposta dependência da região em relação aos repasses federais.
Em entrevista na última quarta-feira, Zema, que recentemente se lançou como candidato à presidência pelo Partido Novo, sugeriu que os repasses federais teriam tornado o Nordeste “eternamente dependente” de verbas do Planalto, utilizadas como moeda eleitoral.
A nota do Consórcio Nordeste, que representa nove estados da região, apresenta dados que contradizem as afirmações de Zema:
* Segundo dados do BNDES, em 2022, do total de R$ 133,7 bilhões desembolsados, R$ 48,7 bilhões foram destinados ao Sudeste e R$ 48,8 bilhões ao Sul, enquanto o Nordeste recebeu apenas R$ 13,3 bilhões.
* O documento destaca que 73% dos desembolsos concentram-se no eixo Sul-Sudeste, com Minas Gerais recebendo sozinho R$ 12,7 bilhões, ocupando a posição de quarto estado mais beneficiado.
* Em relação às renúncias tributárias federais previstas para 2025, dos R$ 536,4 bilhões estimados, R$ 256,2 bilhões ficarão no Sudeste e R$ 89,3 bilhões no Sul, enquanto o Nordeste receberá R$ 79,3 bilhões.
Os governadores enfatizam que “o Brasil só avançará com cooperação federativa, respeito e verdade” e repudiam “toda forma de racismo, xenofobia e estigmatização regional”. A nota ressalta ainda que “o Nordeste não aceitará ser transformado em bode expiatório de disputas eleitorais”.
Vale lembrar que esta não é a primeira vez que Zema entra em conflito com os governadores nordestinos. Em 2023, ele já havia sido criticado ao comparar estados da região com “vaquinhas que produzem pouco” durante discussões sobre a Reforma Tributária.
A nota conclui afirmando que “o Nordeste nunca reivindicou esmolas, mas lutou pela criação de políticas de desenvolvimento regional capazes de valorizar suas potencialidades e apoiar seus empreendedores”.