O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou um “tarifaço” que afetará as importações de 185 países, incluindo o Brasil, gerando preocupações significativas no setor brasileiro de hortifrúti. A medida, que estabelece uma taxa mínima de 10% sobre produtos importados, pode impactar especialmente o comércio de uva e manga entre Brasil e Estados Unidos.
Segundo análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, o impacto desta medida pode ser substancial para o setor brasileiro, afetando principalmente dois aspectos: o comércio direto com os Estados Unidos e a reorganização do mercado internacional de frutas.
* O anúncio foi feito por Trump em 2 de abril, data que ele chamou de “Dia da Libertação”, marcando o início de um conjunto de tarifas que, segundo ele, libertarão os EUA de produtos estrangeiros.
* As exportações brasileiras para os EUA representam:
– 14% das exportações de manga (do total de 258 mil toneladas)
– 23% das exportações de uva (do total de 59 mil toneladas)
– 6% do total de frutas de mesa (63 mil toneladas)
* Outros países também foram afetados com diferentes taxações:
– Chile e Peru: 10%
– África do Sul: 30%
– México: indicação de 25% (pendente de confirmação específica para frutas)
Uma preocupação adicional apontada pelos pesquisadores do Hortifrúti/Cepea é a possível reorganização do mercado internacional. O México, por exemplo, pode redirecionar suas exportações para a União Europeia, aumentando a concorrência neste mercado que é importante para o Brasil.
Em resposta às medidas de Trump, o Senado Federal brasileiro aprovou em regime de urgência um projeto que autoriza o governo a retaliar países que imponham barreiras comerciais a produtos brasileiros, estabelecendo mecanismos de reciprocidade comercial.
Os pesquisadores do Cepea ressaltam que ainda “faltam informações de como funcionará especificamente para as frutas”, especialmente em relação a acordos prévios e como as novas tarifas se somarão às já existentes.