O governo dos Estados Unidos, sob liderança de Donald Trump, anunciou esta semana um aumento significativo nas tarifas sobre produtos brasileiros, que deve impactar severamente as exportações do país. A medida afetará principalmente o setor do agronegócio, com destaque para o suco de laranja e a carne bovina.
Segundo alerta da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o Brasil poderá deixar de exportar 743 milhões de litros de suco de laranja e aproximadamente 17 toneladas de carne bovina para os Estados Unidos devido ao novo tarifaço.
* O suco de laranja, que já estava sujeito a uma taxa de 5,9%, agora enfrentará uma alíquota total de 15,9%. Como consequência, a exportação que chegava a 1 bilhão de litros deve reduzir para apenas 261 milhões de litros até 2023.
* Para a carne bovina, o imposto subirá de 33% para 43%, resultando em uma queda nas exportações de 73 mil para 45 mil toneladas.
* Outros produtos brasileiros também serão afetados pela medida, incluindo cana de açúcar, álcool, arroz e feijão.
A CNA destacou em nota que o protecionismo de Trump afetará não apenas o Brasil, mas também outros grandes países produtores de produtos agropecuários. A entidade alertou ainda para a possibilidade de novas taxas serem impostas por Washington “caso o governo dos EUA considere que as medidas anunciadas não sejam eficazes na resolução do déficit comercial geral”.
Os dados apresentados pela CNA mostram que as exportações brasileiras para os Estados Unidos somam US$ 12,1 bilhões, conforme balanço de 2024. O país norte-americano representa o terceiro principal destino dos produtos do agronegócio brasileiro, ficando atrás apenas da União Europeia e China.
A Confederação ressalta que os produtos mais impactados serão aqueles em que o Brasil já possui participação significativa nas importações americanas: suco de laranja resfriado (90%), suco de laranja congelado (51%), carne bovina termo processada (63%) e etanol (75%).