STF aprova plano contra letalidade policial no Rio

STF aprova plano contra letalidade policial no Rio

Supremo estabelece medidas para reduzir mortes em operações policiais nas comunidades do Rio de Janeiro, incluindo uso obrigatório de câmeras corporais

O Supremo Tribunal Federal (STF) aprovou nesta quinta-feira (3) um conjunto de medidas destinadas a reduzir a letalidade das operações policiais nas comunidades do Rio de Janeiro. A decisão é parte da “ADPF das Favelas”, ação movida pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB) que questiona a atuação das forças de segurança pública nas comunidades do estado.

O ministro Edson Fachin, relator do caso, identificou violações de direitos humanos nas operações e apontou omissão do Governo do Rio de Janeiro na elaboração de um plano de segurança pública efetivo. O presidente do STF, ministro Luís Roberto Barroso, destacou que a decisão faz parte de um processo estrutural que envolve diagnóstico, plano de ação e monitoramento contínuo.

Principais Medidas Determinadas:

* Obrigatoriedade de autópsia em todas as mortes ocorridas durante operações policiais, sejam de civis ou agentes de segurança

* Implementação de câmeras corporais nos uniformes da PM e nas viaturas, com prazo de 180 dias para comprovação da instalação

* Criação de novos indicadores para monitorar o uso excessivo da força e mortes com autoria indeterminada em confrontos

* Publicação de dados detalhados sobre mortes de civis e policiais em confrontos pelo Estado do Rio

Ações Complementares:

* Determinação para que a Polícia Federal instaure inquérito específico sobre organizações criminosas no Rio com repercussão interestadual e internacional

* Criação de uma equipe exclusiva na PF para produção de inteligência sobre facções e suas conexões com agentes públicos

* Elaboração de um plano de combate à letalidade policial e ao crime organizado, incluindo estratégias para retomada territorial

O plano aprovado prevê financiamento com recursos federais, estaduais e municipais, incluindo emendas parlamentares impositivas. Foi autorizado o repasse de recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública, mediante apresentação de planos específicos e contrapartida local.

A ação original (ADPF 635) foi apresentada pelo PSB, alegando que a política de segurança pública do Rio de Janeiro viola princípios constitucionais fundamentais. Desde 2020, o STF já havia estabelecido medidas provisórias, como a suspensão de operações policiais durante a pandemia e restrições ao uso de helicópteros nas comunidades.

Um relatório recente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) concluiu que a transparência dos dados das investigações, ocorrências e operações policiais, sob supervisão do Ministério Público, é fundamental para fiscalizar a atuação policial e preservar os direitos humanos.

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