O Cacique Raoni, uma das principais lideranças indígenas do mundo, aproveitou a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à região do Xingu, no Mato Grosso, para fazer importantes cobranças sobre questões ambientais e indígenas. Durante a cerimônia, onde foi condecorado com a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito, Raoni expressou preocupações sobre a possível exploração de petróleo na Margem Equatorial da Foz do Amazonas.
Em seu pronunciamento, Raoni foi enfático ao alertar sobre os riscos ambientais: “Essas coisas [floresta] na forma como estão garantem que a gente tenha o meio ambiente, a terra com menos poluição e menos aquecimento. Se isso [exploração] acontecer, sou pajé e já tive contato com espíritos que sabem do risco que corremos de continuar trabalhando dessa forma de destruir, destruir e destruir. Podemos ter consequências muito grandes e podemos não conseguir parar”.
* O líder indígena, embora tenha elogiado Lula, apontou erros do passado e manifestou descontentamento com algumas ações da atual gestão
* Raoni solicitou especificamente uma nova demarcação dos limites das terras indígenas, visando garantir a proteção territorial
* Durante o evento, cobrou que o presidente não repita erros de gestões anteriores
* Lula respondeu com um discurso escrito, destacando ações do governo para os povos indígenas
* O presidente reafirmou o compromisso de zerar o desmatamento na Amazônia até 2030
* Enfatizou que os indígenas “têm direito de reivindicar e conquistar quantas terras forem necessárias”
* Reconheceu que as reservas indígenas representam apenas 14% do território nacional
Vale ressaltar que Raoni foi uma das personalidades que acompanhou Lula na cerimônia de posse em janeiro de 2023, subindo a rampa do Palácio do Planalto. No entanto, em outras ocasiões, já havia manifestado críticas ao governo atual, apontando o não cumprimento de promessas feitas.
O presidente Lula reconheceu que “ainda há muito a ser feito” e que os desafios “precisam ser tratados de forma negociada, com diálogos e transparência”, destacando que mesmo que o tempo das realizações seja mais lento que o desejado, governo e povos indígenas compartilham os mesmos propósitos.