Portugal enfrenta uma situação contraditória: ao mesmo tempo que sofre com uma grave escassez de mão de obra em setores essenciais, o país tem endurecido suas políticas migratórias, afetando principalmente os brasileiros que buscam oportunidades de trabalho no território português.
De acordo com o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI), houve um aumento alarmante de 721% no número de brasileiros impedidos de entrar em Portugal, passando de 179 casos em 2023 para 1.470 em 2024. Este número representa 85% do total de entradas negadas no país.
* Ausência de justificativa plausível para estadia prolongada no país
* Documentação de viagem inadequada ou vencida
* Vistos irregulares ou incompatíveis com a finalidade declarada
* A construção civil enfrenta urgente necessidade de trabalhadores qualificados
* Hotelaria e turismo apresentam dificuldades para manter a qualidade dos serviços
* Áreas de saúde e tecnologia sofrem com vagas em aberto
A situação se agravou após junho de 2024, quando o governo português encerrou a possibilidade de regularização por meio da manifestação de interesse, método anteriormente utilizado por muitos brasileiros para estabelecer residência no país.
A instabilidade política tem contribuído para o agravamento do cenário. Com a queda do primeiro-ministro Luís Montenegro e eleições antecipadas marcadas para maio de 2025, a implementação de medidas para flexibilizar a imigração, especialmente para cidadãos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), permanece em suspenso.
Os processos burocráticos também têm gerado transtornos significativos. Segundo a advogada Luciane Tomé, especialista em direito da nacionalidade portuguesa, os consulados portugueses no Brasil estão sobrecarregados, com tempo médio de espera superior a 100 dias para análise de vistos.
A contradição entre a necessidade de mão de obra e as restrições migratórias tem provocado críticas de diversos setores da sociedade portuguesa. Sindicatos e associações empresariais pressionam o governo por soluções mais ágeis, enquanto cidades como Lisboa e Porto já registram queda na produtividade e atrasos em projetos devido à falta de trabalhadores.