O dólar registrou queda significativa nesta quinta-feira, primeiro dia após o anúncio do pacote de tarifas do presidente americano Donald Trump, fechando em R$ 5,6281, uma redução de 1,20%. Este é o menor valor desde outubro do ano anterior, refletindo a reação do mercado às novas medidas protecionistas dos Estados Unidos.
Os produtos brasileiros serão taxados em 10%, representando o piso inferior das tarifas anunciadas, em contraste com taxações mais elevadas impostas à China (34%), Vietnã (46%) e União Europeia (20%).
* As bolsas de Nova York sofreram fortes quedas, com o Nasdaq registrando perdas superiores a 5%, enquanto investidores buscaram refúgio nos títulos do Tesouro americano
* O petróleo apresentou queda superior a 6%, com o barril tipo Brent aproximando-se dos US$ 70
* O índice DXY caiu significativamente, operando próximo aos 102,100 pontos no fim da tarde
* Moedas fortes como euro, iene e franco suíço se destacaram positivamente
Leonardo Monoli, diretor da Azimut Brasil Wealth Management, avalia que “no entanto, mais a frente, se o Fed demorar mais do que o esperado para iniciar cortes de juros – ou mesmo decidir não cortar mais -, devido às pressões inflacionárias internas causadas pelas tarifas e por um dólar mais fraco, isso poderá gerar um ambiente mais avesso ao risco”.
Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank, destaca que “o anúncio gerou temores de inflação e recessão nos Estados Unidos, o que levou os investidores a procurar mercados mais atrativos. O Brasil está no radar porque tem uma das moedas emergentes mais líquidas”.
Trump minimizou o impacto das medidas, afirmando que “o mercado está indo muito bem” e que a economia americana terá um “boom de crescimento”. Para o Brasil, os efeitos podem ser deflacionários no curto prazo, possivelmente facilitando o trabalho do Banco Central na condução da política monetária.