O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), lançou sua pré-candidatura à Presidência da República nesta sexta-feira, 4, em Salvador. Durante o evento, Caiado estabeleceu a segurança pública como principal bandeira de sua campanha, criticando o governo Lula e se distanciando do ex-presidente Bolsonaro.
Em seu discurso inaugural como pré-candidato, Caiado atacou diretamente a PEC da Segurança Pública proposta pelo ministro Ricardo Lewandowski, afirmando que “você quer tirar prerrogativa de Estado, isso aí é presente para a bandidagem”. O governador defendeu uma postura mais rigorosa no combate ao crime, declarando que não existe “estado democrático de direito onde governo é complacente com o crime”.
* Caiado criticou a gestão econômica do governo Lula, mencionando a taxa de juros de 14,25% e o processo inflacionário, acusando o presidente de transferir responsabilidades para Estados e municípios.
* O governador goiano atacou a ministra Gleisi Hoffmann, afirmando que ela não tem capacidade de articulação política: “A única coisa que ela não sabe é articular. É um elefante na casa de louça”.
* Em uma clara diferenciação do estilo Bolsonaro, Caiado defendeu o respeito entre os Poderes e a necessidade de harmonia institucional, prometendo exercer a presidência com “liturgia” e sem confrontos.
O evento foi marcado pela ausência do presidente do União Brasil, Antônio Rueda, evidenciando tensões internas no partido. Caiado foi acompanhado pelo ex-prefeito de Salvador e secretário-geral do partido, ACM Neto.
O governador enfrenta desafios significativos em sua pré-candidatura. Além da resistência dentro do próprio partido, Caiado foi recentemente condenado pela Justiça Eleitoral a oito anos de inelegibilidade por suposto abuso de poder político nas eleições municipais, decisão da qual ainda cabe recurso.
Em relação ao cenário político atual, uma pesquisa Genial/Quaest revelou que 29% dos brasileiros consideram a violência como o maior problema do país, contexto que pode favorecer a narrativa de Caiado focada em segurança pública.
O pré-candidato também se posicionou contra a federação entre União Brasil e PP, argumentando que a união forçada seria prejudicial para ambos os partidos, destacando as diferentes realidades estaduais como obstáculo.
O líder do União Brasil no Senado, Efraim Filho, indicou que o apoio do partido à candidatura de Caiado dependerá de sua capacidade de se provar viável como candidato ao longo de 2025.