O filme “Ainda estou aqui”, dirigido por Walter Salles, alcançou uma marca expressiva na história do cinema brasileiro. Segundo dados divulgados pela Ancine (Agência Nacional de Cinema), a produção atingiu R$ 85,4 milhões em bilheteria, estabelecendo-se como a quinta maior arrecadação do cinema nacional, além de receber três indicações ao Oscar.
O sucesso do filme pode ser medido em diferentes aspectos:
* A produção da VideoFilmes, empresa de Walter Salles, superou significativamente a bilheteria de “Central do Brasil”, outro sucesso do diretor que há 26 anos levou Fernanda Montenegro à indicação ao Oscar.
* No mercado norte-americano, “Ainda estou aqui” conquistou o posto de segundo maior filme de lançamento restrito em 2025, com arrecadação próxima a R$ 6 milhões, ficando atrás apenas da produção chinesa “Creation of the Gods 2: Demonic confrontation”.
* A expansão nos Estados Unidos foi notável: em apenas três semanas, o filme passou de 17 para 93 salas de exibição.
O desempenho do filme de Walter Salles se destaca ainda mais quando comparado ao cenário atual do cinema nacional. Em 2023, o mercado enfrentou uma queda de 84% em relação a 2019, com produções como “Nosso Sonho” (505 mil espectadores), “Minha Irmã e Eu” (469 mil) e os filmes sobre Mamonas Assassinas e Mussum atingindo números mais modestos.
Na lista das maiores bilheterias nacionais, “Ainda estou aqui” está atrás apenas de “Minha Mãe é uma Peça 3” (R$ 170 milhões), sua sequência anterior (R$ 125 milhões), e dos filmes “Nada a Perder” e “Os Dez Mandamentos”, que teriam arrecadado conjuntamente R$ 237 milhões, embora com registros de sessões vazias.
O cenário atual do cinema brasileiro apresenta desafios significativos, como o poder de compra reduzido da população, a crescente presença do streaming e o aumento no preço dos ingressos. Mesmo assim, produções contemporâneas como “O Auto da Compadecida 2”, “Os Farofeiros” e “Turma da Mônica – Laços” têm conseguido resultados expressivos, indicando uma recuperação gradual do setor após a pandemia.